Marco Vinholi propõe que partido tenha nome próprio para prefeitura de São Paulo em 2024, contrariando entendimento do diretório municipal que defende apoio a Ricardo Nunes

Porto Velho, RO - O presidente estadual do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, vai propor à executiva estadual que o partido tenha candidato próprio à prefeitura de São Paulo na eleição de 2024. O posicionamento contraria a opinião do diretório municipal e de vereadores da capital, que apoiam Ricardo Nunes (MDB) no pleito.

— A gente vai definir por lançar candidaturas a prefeito em todas as cidades, essa é a regra geral de todas as cidades então, se não for isso, é exceção. É isso que eu defendo e vou defender isso junto ao diretório. 

Vamos fazer um processo de prévias, quem são os nomes que podem se apresentar? (Ricardo) Tripoli já se posicionou uma vez, o próprio José Aníbal (ex-senador) já foi pré-candidato algumas vezes, eu não descarto me colocar. 

A gente pode abrir esse debate. Nós temos uma turma que defende apoiar o Ricardo Nunes, o próprio presidente municipal do partido e alguns vereadores. Mas entendo que é o momento de iniciarmos esse debate dentro dessa regra de ter candidaturas, incluindo a capital nesse processo — disse em entrevista ao GLOBO.

Vinholi afirma que a proposta será apresentada e discutida em reuniões com a executiva estadual e municipal nas próximas semanas. Mas a palavra final é da direção nacional do PSDB, que é responsável por bater o martelo sobre candidaturas em todas as cidades com mais de 500 mil habitantes. Como desde o ano passado os tucanos se uniram ao Cidadania em uma federação, a sigla também precisará ser ouvida.

O tucano relata que pretende “abrir um diálogo” com Fernando Alfredo, presidente do diretório municipal tucano, e destaca como argumentos o fato de o PSDB ter disputado todas as eleições na capital desde a sua fundação e ter ganhado três — com José Serra, João Doria e Bruno Covas — e aponta o próprio Alfredo como uma possível opção de nome.

O ex-governador Rodrigo Garcia, que ficou em terceiro lugar na disputa ao governo paulista em 2022, está nos Estados Unidos e deve voltar ao país no segundo semestre. Mas, segundo Vinholi, ele não deu sinais sobre seu futuro político:

— Ele é um grande nome, mas ele não se colocou como candidato e nem discutiu nada. Ele fez referências ao Ricardo, sempre fazendo gestos em direção ao Ricardo.

O presidente estadual ainda evita criticar Ricardo Nunes e afirma que só poderá avaliar sua gestão “mais para o final do ano”, mas diz que o atual prefeito “tem seus méritos e também seus desafios”. Vinholi aponta o “cuidado com a cidade” e soluções para a cracolândia como principais desafios e bandeiras que seriam levantadas pelo partido caso lance um candidato próprio:

— O PSDB foi quem fez as reformas necessárias aqui na prefeitura ainda na época do Bruno Covas para poder ter uma cidade mais bem cuidada. O Bruno investiu muito na primeira infância, na política de zerar a fila das creches. 

O governo não é um governo de uma grande obra, mas de centenas de pequenas obras. O prefeito tem que cumprir esse papel e ser um zelador da cidade e fazer uma cidade mais justa. Temos a questão da cracolândia como um debate central na capital, é um problema que não é simples, mas sem dúvida isso tem que ser uma pauta prioritária em São Paulo.

Questionado sobre os erros do PSDB da última eleição estadual, que significou a maior derrota tucana no estado em 30 anos, Vinholi evita apontar atitudes específicas e afirma que foi “o fim de um ciclo”:

— A gente fez o que naquele momento se apresentava como melhor e agora é essa reconstrução e eu entendo que nessa construção o melhor a se fazer é fomentar as candidaturas. Eu acho que a polarização é uma força, mas o Tarcísio tem muita qualidade também, está sendo um bom governador para São Paulo. É difícil elencar um fator só, foi uma eleição muito complexa. 

Eu classificaria como um fim de um ciclo longo, eu não sei se teve em algum estado do Brasil um ciclo tão longo de governos sucessivos. O meu sentimento é que foi o fim de um ciclo, acontece da população querer mudança quando há um período tão longo de governo. Eu acho que tinha um desejo de mudança.


Fonte: O GLOBO