Exemplos vão de irmão de Davi Alcolumbre (União-AP) a segunda substituta de ministro da Educação

Em ano de eleição municipal, suplentes de senadores vêm usando o cargo para impulsionar as próprias candidaturas, em movimento que conta também com a atuação dos titulares dos cargos a favor dos apadrinhados.

O principal exemplo ocorre em Macapá, onde o irmão do senador Davi Alcolumbre (União-AP) e seu primeiro suplente, Josiel Alcolumbre, é cotado como pré-candidato à prefeitura e tem o prestígio familiar como um dos seus principais trunfos para avançar na disputa.

Alcolumbre está empenhado nas articulações para retornar à presidência do Senado em 2025 e pode usar a ampla aliança construída por ele em prol da candidatura do irmão, embora, até o momento, não tenha sido batido o martelo sobre a definição da sua participação na disputa.

Lá, o atual prefeito, Dr. Furlan (MDB), aparece em pesquisas internas como forte candidato à reeleição – o mandatário derrotou Josiel nas eleições de 2020 com 55,7% dos votos no segundo turno.

Com bom trânsito no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e na presidência da principal comissão do Senado, a de Constituição e Justiça (CCJ), Alcolumbre tem facilidade no empenho de emendas parlamentares, o que atrai capital político local para ele e para o irmão. Josiel e Alcolumbre foram procurados, mas não se manifestaram.

Em Goiás, Izaura Cardoso (PSD), suplente do senador Wilder Morais (PL) e esposa do senador Vanderlan Cardoso (PSD), é candidata em Senador Canedo, um dos principais municípios da Região Metropolitana do estado, com 155 mil habitantes. O marido foi prefeito na cidade por dois mandatos.

— Ser suplente de senador vai me ajudar a administrar a cidade, pois tive acesso a processos legislativos e aprendi como buscar recursos em Brasília para o município. O apoio do Vanderlan nessa articulação endossa o fato de que será a minha candidatura que dará continuidade ao trabalho e aos projetos que foram iniciados em nossa gestão, quando ele foi prefeito — disse Izaura.

As ligações familiares entre suplentes, senadores e pré-candidatos também é evidenciada em Alagoas. Eudócia (PL) é a primeira suplente do senador Rodrigo Cunha (Podemos) e mãe do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PL), aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Cunha quer ser vice de JHC e, para isso, tiraria licença, o que daria o mandato a Eudócia, mãe do seu possível companheiro de chapa.

— Não há nenhuma definição sobre este cenário. Sou parceiro do prefeito JHC e, naturalmente, já se cria uma especulação por parte da população, já que estamos juntos em todas as eleições. Respeito a Dra. Eudócia. Minha parceria com o JHC tem um propósito muito maior que espaço político — minimizou Cunha.

No Ceará, Janaína Farias, segunda suplente do ministro da Educação, Camilo Santana, ganhou um mandato relâmpago de senadora, o que ajudou a elevar sua notoriedade para disputar a prefeitura de Crateús, município de 75 mil habitantes no nordeste do estado. A primeira suplente, Augusta Brito, está licenciada.

— Há uma indicação de que isso (candidatura à prefeitura de Crateús) possa ocorrer, mas é preciso esperar as convenções. O mandato está nos permitindo trabalhar mais em áreas como educação, disponibilidade hídrica e combate à violência contra a mulher que são temas que sempre me preocuparam.

Vaga de Dino

Há ainda no horizonte outras possibilidades: segunda suplente de Flávio Dino, que deixou a cadeira de senador para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lourdinha (PCdoB) é cotada para concorrer à prefeitura de Coroatá, município no Maranhão onde é vereadora. O posto no Senado, desde a saída de Dino, vem sendo exercido por Ana Paula Lobato (PSB).


Fonte: O GLOBO