Estão na mira da nova CEO da estatal executivos ligados a Jean Paul Prates, demitido pelo presidente nesta semana

A nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, só deve assumir o cargo depois de concluído o processo de checagem de seu currículo e de possíveis conflitos de interesse e de uma reunião do Conselho de Administração da estatal para ratificar a escolha de Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo deve levar no mínimo duas semanas, mas Magda já indicou a integrantes do governo alguns dos membros da equipe que ela pretende trocar.

Na mira de Magda estão essencialmente os executivos mais próximos a Jean Paul Prates, demitido no início da semana pelo próprio Lula, para quem o CEO não não estava tocando obras como as de refinarias e a implantação de estaleiros na velocidade desejada pelo presidente da República.

Os mais ligados a Prates já perderam o cargo antes mesmo de Magda assumir, destituídos pelo conselho na quarta-feira (15), na mesma reunião em que a saída de Prates foi confirmada pelo colegiado.

Foram eles o diretor financeiro, Sérgio Caetano Leite, e o gerente-executivo de Relações Institucionais, João Paulo Madruga. O advogado-geral da Petrobras, Marcelo Mello – que tem status de diretor jurídico – também foi desligado nesta quinta-feira (16).

A nova CEO da Petrobras disse a integrantes do primeiro escalão de Lula que quer trocar pelo menos mais dois executivos, que em Brasília são considerados próximos demais de Prates para permanecer na empresa: o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos Travassos, que responde pelas obras de refinarias e estaleiros, e o diretor de Governança e Conformidade, Mario Spinelli.

Nesse último caso, porém, a intenção de Magda é mais difícil de se concretizar. O cargo de Spinelli tem mandato de dois anos e termina em abril de 2025. Sua função é protegida por algumas garantias justamente porque, para cumpri-la, por vezes o diretor de Governança precisa entrar em embates com outras áreas da companhia.

Proximidade com Haddad

Pelas regras da Petrobras, ele só pode ser destituído pelo Conselho de Administração e assim mesmo só se tiver o voto favorável de pelo menos três dos quatro representantes dos minoritários (dos 11 conselheiros, outros cinco são indicados pelo governo e um por funcionários).

Por ora, contudo, nada indica que os minoritários darão votos suficientes para tirar Spinelli da função. Complica a situação ainda o fato de que, embora ele tenha sido escolhido por headhunters, Spinelli é muito próximo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de quem foi secretário na prefeitura de São Paulo.

A saída de Spinelli é um movimento no qual também tem interesse o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, e Rui Costa, da Casa Civil.

Isso porque o diretor de Governança já teve embates diretos com o presidente do Conselho de Administração, Pietro Mendes, que é secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis no ministério de Silveira, além de ter se oposto internamente à retomada do projeto da Unigel, a fábrica de fertilizantes falida que um amigo do ministro Rui Costa tenta repassar à Petrobras por meio de um contrato que o Tribunal de Contas da União (TCU) avalia como prejudicial à companhia.


Fonte: O GLOBO