Olhos do animal compreendem cerca de 32% da cabeça

Nativo das profundezas do oceano, o 'tubarão fantasma' é a mais nova descoberta de pesquisadores, após análises em águas do Mar Andaman, na Tailândia. Publicado neste mês pela revista Raffles Bulletin of Zoology, a espécie foi chamada de Chimaera supapae e é um peixe quimera cartilaginoso da ordem dos mais antigos vivos.

Parente dos tubarões e arraias, o 'tubarão fantasma' é descrito por ter cabeça gigante, olho iridescentes, ou seja, com espectro de arco-íris, e barbatanas emplumadas. A condição dos olhos que compreendem até 32% da cabeça do animal, argumentam os cientistas, se dá pela adaptação ao ambiente escuro em que a espécie predomina.

Parte do fascínio pela descoberta mora não apenas no fato da incidência rara de quimeras nesta parte do mundo, mas também pela dificuldade de exploração em profundidades que excedem os 4.400 metros.

“As quimeras são raras nesta região. Havia apenas 53 espécies conhecidas de quimeras no mundo; isto perfaz 54”, disse David Ebert , principal autor do estudo e diretor do programa do Pacific Shark Research Center da San Jose State University, na Califórnia, à LiveScience.

'Tubarão fantasma': com cabeça gigante e olhos de arco-íris, espécie é descoberta por pesquisadores na Tailândia — Foto: David A. Ebert

As quimeras são conhecidas por habitar encostas continentais e dorsais oceânicas no fundo do mar. Com habitar referente a mais de 500 metros de profundidades, os animais preferem a escuridão e se alimentam de crustáceos, moluscos e vermes. Algumas espécies podem crescer até dois metros de comprimento.

“Evolutivamente, essas quimeras estão entre algumas das mais antigas linhagens de peixes, com uma linhagem que remonta a 300-400 milhões de anos. A descoberta de novas espécies como esta diz-nos quão pouco sabemos sobre o ambiente marinho e quanto ainda há a ser explorado", disse Ebert.

A captura do animal foi feita através de uma rede de arrasto no fundo do mar, entre 772 metros e 775 metros, abaixo da superfície, em 2018. Já as barbatanas em formato de penas são avaliadas pela capacidade da criatura explorar e se locomover por fundos rochosos de relevos complexos.

Com pele marrom-escura, o 'tubarão fantasma' não apresenta linhas ou padrões perceptíveis, mas tem um espinho dorsal no topo da cabeça.


Fonte: O GLOBO