Essa parcela da população sequer tem acesso a sanitário improvisado no quintal ou a outra forma precária. Na outra ponta, 5,4 milhões vivem em casas com quatro banheiros ou mais

Ainda há no Brasil 1,2 milhão de pessoas que vivem em 367 mil lares sem banheiro, nem mesmo externo ou precário, segundo os dados do Censo 2022, divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. No outro extremo, a pesquisa mostrou que 5,4 milhões vivem em casas com quatro banheiros ou mais.

No Piauí, a pior situação do país, 5% da população vivem nessas condições. O quadro é crítico em 169 municípios, onde 10% da população estavam em lares sem banheiro ou sanitário. Em todo o país, há ainda 2,4 milhões em domicílios com instalações externas e insalubres. Pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o Brasil tem que eliminar essa situação até 2030.

O professor e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais, Léo Heller, diz que esse número pode até estar subdimensionado, já que as pessoas têm vergonha de dizer que não têm banheiro:

_ Isso mostra a ausência do estado em cidades muito pequenas e nas periferias das metrópoles.

Mas o país avançou muito nesse indicador. Em 2010, havia 1,5 milhão de lares sem qualquer instalação sanitária. E houve aumento na parcela da população com banheiro de uso exclusivo em casa. Era de 92,3% em 2010, subindo para 97,8% em 2022.

Mesmo assim, ainda há 4,5 milhões de pessoas sem banheiro no país, usando unidades coletivas, na área externa ou sem qualquer instalação.

A melhoria do acesso a banheiros ocorreu em todas as grandes regiões e estados do país, que ainda mostra um quadro de enorme desigualdade regional:

"Apesar do avanço considerável nas Regiões Norte e Nordeste, as mesmas ainda se encontravam, em 2022, em um patamar pior do que o encontrado nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste em 2010."

Um quarto da população sem acesso a saneamento

O saneamento básico como um todo melhorou no país: 75,7% da população estavam em domicílios com rede coletora de esgoto ou fossa séptica em 2022. Mas isso significa que um quarto da população ainda não tinha acesso ao serviço. Em 2000, 59,2% viviam em lares com saneamento básico.

O Censo mostrou ainda que, em pleno século XXI, quase 70 cidades do Nordeste ainda têm no carro-pipa principal fonte de água.

O uso de caminhão - ou jegue, ou carroças - para levar água potável acaba sendo a solução para famílias que moram na região do semiárido, que historicamente lidam com a seca.

É a região com maior concentração deste tipo de abastecimento, destaca Bruno Perez, técnico da área de coordenação de população e indicadores sociais do IBGE.


Fonte: O GLOBO