A estudante Jeniffer Moreira, de 19 anos, morreu na segunda-feira após se engasgar com um lanche e sofrer uma parada cardíaca

A estudante de direito Jeniffer da Silva Moreira, de 19 anos, morreu após se engasgar com um lanche e sofrer uma parada cardíaca, na segunda-feira (18), em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá. A jovem estava em casa com a família quando ocorreu o incidente. Ela chegou a ser levada para o Hospital Regional de Alta Floresta, no entanto, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Apesar de parecer normal, o engasgo é a causa da morte de cerca de 3 mil pessoas por ano no Brasil. Além de provocar uma tosse incessante, se não for tratado pode causar uma asfixia causada pela obstrução das vias respiratórias e que pode fazer com que a pessoa tenha uma parada cardiorrespiratória, desmaie e levando ao óbito.

O engasgo nada mais é do que a resposta do organismo para tentar expelir um corpo que entrou “pelo caminho errado” na hora de engolir a comida. Esse erro é evitado graças a uma estrutura chamada epiglote, localizada atrás da língua, que funciona como uma válvula. Ela normalmente permanece aberta, para que o ar entre na traqueia e chegue aos pulmões. Mas, na hora de engolir, essa estrutura se fecha para que a comida não entre nas vias respiratórias, e sim no caminho para o estômago.

O que fazer nesses casos?

Quando ocorre uma respiração no meio do momento de engolir, ou alguma outra prática que leve a epiglote a agir de forma diferente do que deveria, o alimento entra na parte errada e passa a obstruir a respiração. Com isso, o corpo reage, na forma do engasgo.

Normalmente não há grandes problemas, e o corpo estranho é expelido. Mas, quando a pessoa não consegue desengasgar, a situação demanda a ajuda de terceiros para evitar quadros graves.

A forma mais utilizada para desengasgar uma pessoa é a manobra de Heimlich. Ela envolve uma pressão, realizada por uma outra pessoa que não esteja engasgando, na região da boca do estômago (região epigástrica) para ajudar o corpo a expelir o alimento, ou objeto, que esteja obstruindo a traqueia.

De acordo com o Ministério da Saúde, a outra pessoa deve se posicionar por trás da que está se engasgando e abraçá-la na região do abdômen. Nessa hora, uma das mãos deve permanecer fechada na área da boca do estômago, como formando um punho, enquanto a outra mão é posicionada sobre ela, comprimindo-a.

Então, é preciso realizar um movimento de gancho, empurrando a área da boca do estômago para dentro e para cima, como se fosse levantar a pessoa que está engasgando do chão. Isso deve ser feito repetidas vezes até que o alimento, ou objeto, seja expelido pela vítima. Em crianças, é necessário ajoelhar-se antes de dar início ao protocolo, para ficar na altura correspondente.

Se a vítima for um bebê, com menos de um ano de idade, essa manobra não é aconselhada. Nesse caso, deve-se colocar o bebê de bruços em cima do seu braço, levemente inclinado para baixo, e fazer cinco compressões no meio das costas, na região entre as escápulas. Caso ainda assim o bebê não desengasgue, a pessoa deve virá-lo para cima e realizar mais cinco compressões sobre o osso que divide a região do peito, o esterno.

Mesmo com as manobras, é importante que a emergência médica tenha sido chamada. E, claro, as duas manobras aplicam-se apenas para vítimas conscientes. Caso o engasgo leve rapidamente a pessoa para um estado de inconsciência, a primeira atitude a ser tomada deve ser chamar a ajuda médica. Se a vítima não for rapidamente socorrida, o índice de mortalidade pode chegar a 40%.

Como evitar?

Na hora das refeições, mastigar devagar é essencial para evitar o engasgo, assim como as realizar sentado. Cortar pequenos pedaços e fracionar bem os alimentos no garfo também são ótimas dicas, bem como não engolir comprimidos e cápsulas a seco, prefira sempre com água.

Refluxos gastroesofágico e síndrome da apneia obstrutiva do sono não tratados também são grandes aliados no engasgo e devem ser acompanhados por profissionais. O excesso de café, álcool, comidas quentes e tabagismo também devem ser tratados com atenção, pois induzem inflamações relaxamentos e fechamentos anormais da epiglote.


Fonte: O GLOBO